segunda-feira, 2 de junho de 2008

O que é o ciberjornalismo

A imparável expansão da Internet e o descomunal crescimento de publicações online deram origem, quase duas décadas depois do seu aparecimento, a um tão consensual quanto promissor novo género de jornalismo, aquilo a que os académicos e investigadores chamam de ciberjornalismo, ou jornalismo digital.

Depois da Imprensa, da Rádio e da Televisão, surge agora um quarto género de jornalismo, intrinsecamente associado às novas tecnologias, capaz de «pôr em sentido» os velhos meios, mais do que consolidados no espectro comunicacional global.

Nascido com o advento da Internet, o ciberjornalismo distingue-se do jornalismo tradicional por três características que nenhum outro meio havia concentrado em si: a multimedialidade, a hipertextualidade e a interactividade.

Depois de uma fase em que as empresas de Comunicação Social aderiram palidamente à Web, apenas como forma de veicularem conteúdos a baixos custos de produção – Mann defende mesmo que os jornais estavam online porque tinham medo de não estar –, o jornalismo digital tem vindo a tirar partido dos seus recursos intrínsecos para se colocar numa posição privilegiada no âmbito do universo do jornalismo.

Ao ponto de estar a questionar convenções jornalísticas e de já ter dado nome a um novo género de jornalista: o ciberjornalista, aquele que faz jornalismo em exclusivo na e para a World Wide Web.

O jornalismo digital tem vindo a crescer de mão dada com a Internet. Numa primeira fase, os jornalistas limitavam-se a, pura e simplesmente, «despejar» conteúdos noticiosos para os sites provenientes dos meios tradicionais. Depois, os jornalistas passaram a criar conteúdo próprio enriquecido com hiperligações e outras ferramentas interactivas, e, mais tarde, na fase que ainda agora se atravessa, o conteúdo informativo original passou a ser pensado exclusivamente para a Web.

Bill Gates foi um dos que defendeu que “sempre que um novo meio de comunicação é criado, os primeiros conteúdos oferecidos são provenientes de outro meio de comunicação”. E assim foi, de facto. Nos primórdios, Hoje, a maioria dos media já não se limitará à passagem dos conteúdos dos meios impressos para o formato na Web, cuja prática ficou conhecida como «shovelware».

Nem tampouco a servirem-se da oferta digital para meros repositórios dos «media» tradicionais, com a esmagadora maioria dos jornais online a tirarem proveito de uma das imbatíveis vantagens da Web: a actualização das notícias. As excepções? Confirma a regra…

A personalização é outra das qualidades típicas do novo género de jornalismo, com autores como Nicholas Negroponte a dar conta da existência de jornais personalizados a cuja modalidade apelidou de «Daily Me» (Diário de Mim), um conceito que consiste na recepção por parte do utilizador do ciberespaço dos artigos apenas pretendidos por si. A metáfora de Bender, segundo a qual o jornalista deve, por um lado, saber «pescar» o peixe certo e, por outro, saber «cozinhá-lo» para abrir o apetite ao leitor, tem todo o cabimento quando em causa está contextualizar a informação em função do perfil de cada utilizador.

Se, no passado, os jornais se debatiam com falta de informação, hoje a realidade é bem diferente. O manancial de informação disponível no ciberespaço leva mesmo alguns autores a advogarem a evolução do jornalismo tradicional para um papel não de envio de mensagens para a audiência, mas antes de orientação do leitor. Ou seja, como profetiza Hélder Bastos, “a ênfase evoluirá do conteúdo para o contexto”.

Marca distintiva do jornalismo digital é também a interacção entre repórteres e audiência. Online é, por natureza, bidireccional. O envolvimento do leitor no mundo digital pode, no entanto, trazer alguns constrangimentos ao ciberjornalista, caso este passe a estar mais preocupado com o leitor do que com a sua verdadeira função.

Em ciberjornalismo, escrever não significa apenas produzir um texto. Segundo Hélder Bastos, passa antes por “explorar todos os formatos possíveis a ser utilizados numa estória de modo a permitir a exploração da característica-chave do novo medium: a convergência”.

A narrativa hipermédia está ainda longe de ter atingido a maioridade, mas, como afirma Levy, “estará seguramente mais próxima da montagem de um espectáculo do que da redacção clássica”, assente no paradigma da pirâmide invertida, já ameaçada no contexto digital por um modelo que João Canavilhas define como pirâmide deitada. Ou seja, textos lineares e estáticos versus textos não-lineares e interactivos.

A escrita para os novos meios é, provavelmente, o aspecto que mais separa os jornalistas digitais dos tradicionais e aquele que terá ainda de percorrer o mais longo caminho até uma definição rigorosa da narrativa digital. Afinal, é só mais uma ruptura trazida pela emergência do quarto género de jornalismo, que contrasta com o tradicional na actualização noticiosa contínua, no acesso global à informação, na reportagem instantânea e na personalização dos conteúdos.

prisma.cetac.up.pt/ciberjornalismo e narrativa hipermedia

terça-feira, 27 de maio de 2008

Mais uma razão para ouvir (e ver) a TSF

A TSF também mudou. O site. Com o novo grafismo e a casa melhor arrumada, a rádio que mudou a Rádio parece também disposta a mudar a forma como os meios tradicionais, mormente as outras rádios, vêem a sua presença no ciberespaço.

Finalmente, o áudio e o vídeo ganham terreno ao carácter. Mais uma razão para ouvir, vulgo, ver a TSF.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

«A Bola» mudou

Uma bola diferente está nos escaparates. Com um novo grafismo e (bem) mais arrumada, «A Bola» evoluiu. Positivamente.

Segue-se o site?...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Feira fechada

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, quer levar a próxima Feira do Livro para a Avenida dos Aliados. Motivo: o Pavilhão Rosa Mota, no Palácio de Cristal, vai entrar em obras. Mais do necessárias, diga-se.

Mas necessário seria também fixar um horário de funcionamento da feira que acautelasse os dias feriados. Não é compreensível que, um dia depois da abertura do evento, as portas do Pavilhão Rosa Mota apenas abrissem às 15h30.

Como eu, outros se deslocaram ao palácio na manhã do feriado para poder visitar a Feira do Livro e bateram com o nariz na porta. Inadmissível. Ou não.

Afinal, não é em Portugal que os museus estão fechados no dia em que provavelmente mais visitas receberiam: ao domingo?!

terça-feira, 20 de maio de 2008

Estatuto Disciplinar dos Jornalistas pronto

A Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas já tem pronto o Estatuto Disciplinar dos Jornalistas.

Ao contrário do que alguns possam pensar, os jornalistas não estão acima da lei e também cometem erros, que, em caso de serem dolosamente premeditados, devem ser sancionados. Com suspensão do exercício da actividade profissional. Temporária ou definitiva.

Só não entendo o alcance de impedir o profissional com carteira profissional de participar na apresentação de concursos ou passatempos.

E também acho que o Estatuto Disciplinar devia afunilar o âmbito das sanções, com um espírito tão abrangente que permite mais do que uma interpretação. Indesejável.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Chamem a polícia

A subcomissão de trabalhadores da RTP/Porto pediu à administração da empresa que garanta, junto das instâncias competentes, a segurança dos jornalistas no desempenho
das suas funções no exterior.

Na carta que enviou à administração da RTP, a subcomissão de trabalhadores "repudia veementemente" o que aconteceu junto ao Estádio do Dragão, quando se verificou "o uso da violência sobre jornalistas da RDP e de intimidação sobre a equipa de reportagem da RTP".

Fonte da subcomissão de trabalhadores da RTP/Porto garantiu que, na passada sexta-feira, uma jornalista da RDP foi "abordada por indivíduos e agredida", sendo que um colega que lhe tentou prestar auxílio também acabou por ser agredido.

A equipa de reportagem da RTP que se encontrava no local "foi intimidada" e viu-se obrigada a abandonar o local sem realizar o directo que estava previsto para aquela hora.

A subcomissão "solidariza-se" ainda com os colegas visados.

O dia 9 de Maio ficou marcado pela divulgação dos castigos aplicados no âmbito do «Apito Final», por coação e corrupção de árbitros na temporada 2002/2003, no qual foram particularmente visados Boavista e FC Porto.

A queima vista por quem... não a viu