segunda-feira, 31 de março de 2008

Debate na FLUP sobre «Desenvolvimento Região Norte»

A Faculdade de Letras da Universidade do Porto organiza na próxima quinta-feira, dia 3 de Abril, pelas 14h30, um Fórum/Debate subordinado ao tema «Desenvolvimento Região Norte», na sala de reuniões da faculdade, junto ao bar de professores e do Conselho Directivo.

O painel de oradores será composto por José Marques dos Santos, Reitor da Universidade do Porto, José Silva Peneda, deputado europeu e ex-ministro, Vladimir Feliz, da Câmara do Porto, José Ramiro Pimenta, docente do Departamento de Geografia da FLUP e Eduardo Vítor Rodrigues, docente do Departamento de Sociologia da FLUP.

O rebate das consciências

A revelação providencial do vídeo da aluna da Escola Secundária Carolina Michaëlis a tirar (des)esforço de uma professora de francês em plena sala de aula, com a plateia a aplaudir, por causa de um telemóvel mostrou à saciedade – se dúvidas ainda houvesse – o estado a que chegou a escola pública em Portugal.

Tão inquietante como o comportamento troglodita e chocante de mais uma jovem dos tempos que correm é a atitude da turma, disposta a pagar para ver – e a filmar – a aluna a chegar a vias de facto com a isolada e fragilizada docente da «Carolina Michaëlis».

Se bem que pelos piores motivos, a gravação feita à custa de um outro telemóvel na sala de aula serviu para fazer tocar a rebate as consciências dos agentes educativos e, acima de tudo, de uma sociedade falha de memória e de costas voltadas não tanto com a escola, mas antes com o processo conducente à transmissão de valores e princípios.

A forma (in)compreensível como a aluna se dirigiu à professora de francês, com o verdadeiro «circo de feras» a assistir, (imp)ávido de mostrar quem, afinal, manda na escola, não é mais do que um sinal dos tempos, marcados ao ritmo de condutas morais que ferem de morte um dos pilares da escola e da sociedade: a autoridade.

Sob pena de se perder de uma vez por todas o que ainda resta da «antiga escola», não só de currículos e conteúdos, mas também de regras e princípios, como o respeito e a disciplina, é provavelmente chegada a hora de todos pararem para reflectir não no caso da aluna da «Carolina Michaëlis», mas na Escola de um País que já se dá por contente à sombra das estatísticas do combate à taxa de abandono escolar.

E que não haja dúvidas: se se perder a Escola, não se perdem os jovens – perde-se o futuro. Tudo.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Jornais diários em queda livre

Os cinco jornais diários mais lidos em Portugal venderam menos 321 mil exemplares em 2007 do que no ano anterior, com quatro deles a diminuir as vendas e apenas o líder "Correio da Manhã" a aumentar.

De acordo com dados hoje divulgados pela Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação (APCT), o número de exemplares de jornais diários vendidos durante o ano 2007 caiu 2,7 por cento (menos cerca de nove mil unidades), para uma média de 321 mil exemplares.

Para esta queda contribuíram todos os títulos com excepção do "Correio da Manhã" que manteve a liderança, aumentando mesmo as suas vendas em 3,1 por cento.

O diário do grupo Cofina obteve, no ano passado, uma circulação média (vendas e assinaturas) superior a 115 mil exemplares por dia, mais cerca de 4 mil exemplares do que em 2006.

A maior descida nas vendas foi registada pelo "24horas", que caiu 13,6 por cento, para menos de 36 mil exemplares. Com esta queda - de mais de 5500 exemplares - o diário mais popular do grupo Controlinveste acentuou o último posto no grupo dos cinco diários mais vendidos no país.

Logo a seguir, com a quarta posição entre os mais vendidos, ficou o outro diário da Controlinveste, o "Diário de Notícias".

Este jornal vendeu pouco mais que o "24horas", registando uma média diária de cerca de 36.200 exemplares, o que significa que perdeu 0,9 por cento em relação aos valores que tinha em 2006.

Também o seu principal rival, o PÚBLICO, do grupo Sonae, perdeu compradores, descendo o número de exemplares vendidos em 5,5 por cento, para 41.764 exemplares.

Com menos de 100 mil exemplares vendidos ficou ainda o antigo líder de vendas, o "Jornal de Notícias", que com uma média diária de cerca de 91.800 exemplares, perdeu 3,8 por cento de compradores.

In PÚBLICO

Adobe disponibiliza Photoshop gratuitamente

A Adobe Systems acaba de lançar uma versão on-line gratuita do programa de edição de imagens «Photoshop».

Depois de feito o registo, o utilizador pode ter acesso à sua conta através de qualquer computador, não sendo necessário «descarregar» qualquer software adicional.

O programa pode ser adquirido em www.adobe.com.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Eduardo Vítor recandidata-se a líder do PS/Gaia

Eduardo Vítor Rodrigues deu ontem formalmente o passo que lhe faltava rumo à mais do que certa recondução na presidência da Comissão Política do PS/Gaia, ao apresentar, nos Carvalhos (Pedroso), a candidatura oficial à Concelhia, que vai a votos no dia 5 de Abril.

Sem qualquer lista opositora, contrariamente ao que sucedera em 2006, quando disputou as eleições com Gustavo Carranca, o líder da Comissão Política dos socialistas tem as portas da reeleição para o mandato que termina em 2010 – um ano depois das Legislativas e Autárquicas – escancaradas, o que, para Eduardo Vítor, se justifica por uma «contagem de espingardas» por parte de quem não está em sintonia com a estrutura concelhia do PS que apontava para “um fortalecimento da votação” obtida dois anos antes.

Por outras palavras: “Ninguém quis submeter-se a um resultado humilhante”.
Com os olhos postos em 2009, o único candidato às eleições de 5 de Abril defendeu ontem nos Carvalhos que a candidatura compreende “uma lista de unidade e de opções”, na qual estão “todos” os que o líder da Comissão Politica “gostaria que estivessem” e não “os que gostariam de estar”.

E mais: “É uma lista de unidade construída e não de unidade fictícia”, como se prova, advogou ainda o socialista de Gaia, pelo “apoio de ilustres militantes no activo de secções” que há dois anos não o apoiaram, nomeadamente Mafamude, S. Félix da Marinha e Crestuma.

Com o partido em Gaia “higienizado, unido e forte” e com “uma liderança”, Eduardo Vítor também deixou claro que “a lista apresentada é a antecâmara das listas” que o PS/Gaia vai candidatar “à Assembleia Municipal e à Câmara” nas Autárquicas de 2009. “Quem está está; quem não está não está”, reafirmou, acrescentando que “as opções ficam clarificadas na eleição para a Concelhia”, para que “ninguém pense” que quer “falsos unanimismos”.

Não por acaso, dos três vereadores do PS eleitos em 2005, Eduardo Vítor apenas convidou Jorge Patrício, que aceitou fazer parte da lista à Concelhia, ficando assim de fora Barbosa Ribeiro e ainda José Moreira Alves. O ex-líder do PS/Gaia já veio a terreiro dizer que “os melhores ficaram em casa” nas eleições para as Concelhias dos socialistas, o que também motivou uma resposta do líder da estrutura «rosa» gaiense.

“Uma candidatura única é o produto de uma unanimidade, mas, no PS/Gaia, isso não existe. A reacção de Barbosa Ribeiro mostra bem que nem todos estão comigo, o que encaro não com tristeza mas antes como natural”, sublinha, ajuntando ainda que “não encaixo a piada de Barbosa Ribeiro segundo a qual muitos dos melhores ficaram em casa, porque muitos dos melhores estão na minha lista”. O que aconteceu, prosseguiu Eduardo Vítor, “foi que muitos dos presunçosos ficaram escondidos debaixo da mesa e não vieram à luta”.

Depois de “um compasso de espera e de um momento em que o partido em Gaia parou”, para “reflectir e arrumar a casa”, ou seja, afinar agulhas com a Distrital e com a Nacional para “ficar bem claro quais são as estratégias a seguir”, o também presidente de Junta de Oliveira do Douro decidiu avançar decididamente com a recandidatura à Comissão Política Concelhia e com a construção de um programa eleitoral que visa “ganhar a Câmara” no próximo ano.

Mesmo consciente de que “o PS em Gaia vem do pior resultado eleitoral de sempre pós-25 de Abril”, Eduardo Vítor considerou que a candidatura ontem formalizada “só faz sentido” se for para “ganhar” a autarquia. Aliás, mal seja reeleito presidente da Concelhia, o líder da Comissão Política vai constituir “equipas de trabalho específicas” para definir o futuro das empresas municipais em Gaia.

Para o candidato às eleições de 5 de Abril, há mesmo questões que são claras. Primeira: “Extinção da Gaianima”. Segunda: “Fusão da Estação Litoral da Aguda e do Parque Biológico nas Águas de Gaia”. Terceira: “Requestionamento da Gaiurb, uma vez que, do ponto de vista do PS, não faz sentido a sua existência tal e qual está a funcionar”. E das duas, uma: “Ou a Gaiurb se torna uma estrutura de apoio na área do Urbanismo, ou deve mesmo ser extinta e o Urbanismo voltar à Câmara”.

Mas, aconteça o que acontecer, uma decisão já está tomada: “O PS vai propor que todos os processos que tramitem na Gaiurb, ou na Câmara, sejam presentes a reunião de Câmara, para a Oposição ter conhecimento de tudo o que é aprovado, por uma questão de transparência”.

“Endividamento da Câmara, taxas municipais, PDM, Escarpa da Serra do Pilar, Metro de superfície, Hospital de Gaia e adesão à LIPOR”, na tentativa de enterrar o projecto do aterro sanitário previsto para Canedo, na Feira – “A minha questão não é de quintal, é de princípio: hoje, na Europa, já não se fazem aterros em lado nenhum”, justifica –, são outros dos temas que o líder do PS/Gaia vai pôr na agenda das prioridades socialistas para o quase certo mandato até 2010.

Do programa eleitoral com que quer levar o PS à vitória na Câmara, 12 anos depois de Luís Filipe Menezes ter sido eleito presidente da autarquia, constam ainda “serviços sociais de proximidade, revalorização das Juntas como parceiros da Câmara, coisa que, infelizmente, deixou de acontecer, e necessidade de infra-estruturação do concelho, no sentido da requalificação dos equipamentos degradados já existentes e não no da criação de novas infra-estruturas”.

Candidato à Câmara definido até final do ano

Auto-excluído de cabeça de lista da candidatura «rosa» à Câmara de Gaia nas Eleições Autár¬quicas – “Não há uma espécie de imperativo de candidatar o próprio presidente da Concelhia”, foi peremptório –, Eduardo Vítor espera resolver a questão relacionada com a definição do rosto socialista que vai tentar ganhar a autarquia a Luís Filipe Menezes “com alguma celeridade”. O mesmo é dizer que o líder da Comissão Polí¬tica Concelhia do PS/Gaia conta ter “a situação clarificada até ao final do ano”.

Nos Carvalhos, o candidato que concorre sozi¬nho às eleições do dia 5 de Abril também deixou a garantia de que o PS “tem os seus timings” e afastou a possibilidade de Gaia fazer “importa¬ção de candidatos”, no sentido, explicou ainda Eduardo Vítor, de “ir buscar alguém a Lis¬boa”. Se houver uma figura nacional, concluiu, “terá de ter uma forte ligação a Gaia”.

A tomada de posse da Comissão Políti¬ca e do secretariado do PS/Gaia, que será com¬posto por 13 elementos e não pelos 11 que assu¬miram funções em 2006, já está marcada para o dia 25 de Abril, no Auditório da Câmara de Gaia. Uma data simbólica que Eduardo Vítor justificou pela “necessidade de revalorizar os valores de Abril”.

Os números da vergonha

O balanço da «Operação Polícia Sempre Presente – Páscoa em Segurança», levado a cabo, entre os dias 13 e 24, pela Polícia de Segurança Pública (PSP) em todo o território nacional, voltou a ser esmagador: 2057 acidentes nas estradas portuguesas, dos quais resultaram seis mortos, igual número de 2007, e 31 feridos graves, menos 10 do que no ano anterior.

Os números deviam envergonhar tudo e todos. Mais de 20 anos depois da adesão à União Europeia, Portugal é dos países da Europa a 27 em que se regista um dos maiores números de vítimas mortais em acidentes rodoviários por milhão de habitantes, apenas atrás de Letónia, Roménia, Lituânia e Eslováquia. Esclarecedor.

Não obstante o agravamento das coimas e de um cada vez mais punitivo Código da Estrada, que tem mudado à velocidade da eleição de um novo Governo, os resultados têm sido pouco, ou mesmo nada, animadores, a não ser para os cofres do Estado.

O que mostra à saciedade que, afinal, a solução para o pesadelo que se vive nas estradas portuguesas não está no carácter mais ou menos repressivo da moldura que pune os infractores, mas num problema bem mais abrangente e transversal aos portugueses: a educação cívica.

O flagelo português tem, assim, de ser combatido a montante das multas e da imposição de novos limites de velocidade, ou da criação do cadastro do condutor, com a adopção de medidas rodoviárias proactivas, mas, acima de tudo, com a construção de uma cultura cívica que não pode passar à margem dos bancos da escola.

Para Portugal não correr mesmo o risco de, em vez de estar na cauda da Europa, ficar à cabeça de África…

domingo, 23 de março de 2008

O Poder voltou à rua

Numa escola pública (bem) perto de si, O (IN)ESPERADO acontece.